quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Posicionamento dos alunos acerca da última reunião da Comissão para Reforma Curricular

Nosso atual currículo é careta. Não, nosso atual currículo é “caretérrimo”, tão careta que nem um (mau) nominalismo medieval poderia dizer sobre ele com precisão. E daí que para o nosso currículo ficar mais moderno, a gente tira História Moderna II. Tira também História da América III. Quem foi que disse que a gente tinha que ter certos conteúdos num currículo da graduação de história? Ah, foi o MEC. Mas isso foi lá em 1986, hoje não é mais assim, hoje não precisa mais e a gente pode se modernizar à vontade! E quem disse que a nossa reforma tem a ver com a falta de professores? É evidente que se trata de um projeto moderno-pedagógico de flexibilização. Mas... se mesmo assim a gente quiser uma matéria sobre Revolução Francesa, ou até mesmo sobre a Revolução Americana, é só ir na reunião de departamento, pedir e colocar no cardápio de aulas do semestre seguinte!

Acontece que nós não temos no departamento um especialista em Revolução Francesa, nem em Revolução Americana. Não temos também um professor especialista em Práticas em História, nem em Teoria da História I, II e III. Daí que se não tem especialista, a gente tira da grade também; pede em tópico pro cardápio do semestre que vem. E no nosso currículo modernoso a gente vai ter tópicos a valer, sobre tudo o que a gente quiser que o departamento tenha professores para dar. Mas os nossos professores estão se aposentando, nenhum professor está sendo contratado e os nossos tópicos parecem ir minguando aos poucos. Ok, nós temos os PEDs e eles podem fazer a vez da nossa falta de professores, só precisamos saber se eles querem.

E a nossa licenciatura, hein? Aqui no IFCH o nosso professor explicou: As grades são o espelho uma da outra, para ser licenciado é só ser bacharel, para ser bacharel é só ser licenciado. O que mais nós, alunos, poderíamos querer? Afinal, são dois coelhos com uma cajadada só. Ok, a gente tem umas matérias na Faculdade de Educação, mas quem disse que elas nos ensinam alguma coisa? E quem disse que se aprende a ser professor num curso de licenciatura? Tem quem acredite que “tamo comprando gato por lebre”.

Acontece que para ouvir tudo isso a gente se reuniu durante um semestre todo. A gente chamou os alunos, a gente fez lanchinho, a gente tomou Itubaína e conversou com uma galera para apresentar tudo o que a gente achava para os nossos professores e, quando chegou a hora, acho que nós nos confundimos. Aquele não era o espaço para falarmos como nosso ghost-curso-de-licenciatura afastava os alunos da vontade de ser professor. Também não era o lugar para discutirmos um jeito de contratarmos professores para aí sim discutirmos juntos um currículo legal e moderninho. Sabe, pensando bem, a gente foi lá pra cumprir tabela, afinal, uma reforma curricular que se preze tem presença de todos os representantes de turma. E a gente podia opinar bastante sim! A gente podia opinar se era bacana ter América I no primeiro ou no quinto semestre, se História Medieval evocava um repertório obscuro e errado mais familiar aos bixos do que os Pré-Colombianos. E a gente falou, a gente falou muito, mas o professor explicou mais uma vez: Sabe, gente, vocês alunos só procuram chifre em cabeça de cavalo.

Sem mais delongas, nos sentimos desrespeitados porque nossas preocupações não encontraram recepção entre os professores da comissão. Os elementos trazidos por nós sobre o funcionamento da licenciatura e as limitações da contratação de professores sequer foram levados em consideração. Por isso, afirmamos que a premissa de diálogo foi falsa. E, por não nos sentirmos parte desse processo, não o legitimamos enquanto essa for a postura dos nossos professores.

Nenhum comentário:

Postar um comentário